sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Setor de energia rumo à confusão

O setor eletroenergético é cheio de “chove não molha”. Perdoe-me o trocadilho, mas, antes, com reservatórios em bom nível, o governo desligou as térmicas a óleo. Ok! Quem é do setor que já não o conhece, hein? Às vezes é até cômico. A decisão de parar as usinas térmicas (todas), por exemplo, foi divulgada hoje pela amanhã e à tarde voltou-se atrás.  Que coisa, não? 

Pela manhã a manchete foi que o "Brasil vai desligar termelétricas e importar menos gás da Bolívia" e apenas duas usinas continuariam funcionando. 

Já à tarde estoura a notícia de que o "Brasil cede à pressão da Bolívia e aumenta importação de gás“. Segundo o que se veiculou na mídia, voltaram a religar duas térmicas. 

"Durante coletiva após a reunião com os bolivianos, Lobão [Ministro de Minas e Energia], irritado, negou que a decisão tenha sido política, mas admitiu que o Brasil quer "contribuir" com o desenvolvimento do país vizinho." 

Até terça-feira (06), estávamos operando algumas usinas térmicas à plena carga para, salvo engano, exportar energia para o Uruguai, diga-se de passagem. Tudo bem que estávamos exportando. Mas, e aí? Explique a confusão do setor. Por isso vivemos em crise. Daqui há pouco, não duvido, voltam a operar todas as usinas. 

Lembrei-me, neste instante, de um livro que comprei em Setembro de 2007 na livraria Saraiva da Rua Sete de Setembro, centro do Rio de Janeiro.

Energia - As razões da crise e como sair dela - Escrito em 2002 por Ernesto Moreira Guedes Filho, José Marcio Camargo e Juan Gabriel Pérez Ferres, três economistas, este livro de 128 páginas, publicado pela Editora Gente, apresenta uma visão geral da crise de energia no país.

Na primeira parte, os autores discorrem das razões da crise de 2001/2002 e na página 29 da desorganização estatal.  Em parte discordo no que foi dito, nesta parte, mas, para contrariar, vejam o que eles escreveram:

“Hoje (2002), é impossível saber a quem recorrer para pleitear mudanças na regulamentação de uso do gás natural boliviano, por exemplo: à Câmara de Gestão da Crise de Energia (GCE), à Petrobras, à Agencia Nacional de Petróleo (ANP) ou à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Na questão da expansão do sistema elétrico, fica a dúvida entre o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), GCE, Ministério de Minas e Energia (MME), Operador Nacional do Sistema (ONS) ou a própria Aneel. Outra dezena de exemplos poderia ser citada aqui, de modo que não ficariam dúvidas a respeito das incertezas presentes no setor ” 


* Texto marcados extraídos das fontes que foram citadas.

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