Comparando-se os dados de 1997 com os mais recentes, publicados no Banco de Informação de Geração (BIG), pela ANEEL, vê-se, hoje, um aumento de 3,46% na potência elétrica total instalada e em operação no Brasil.
Neste período, a potência total das hidroelétricas permaneceu praticamente a mesma, mas com o aumento das contribuições de outras usinas, sobretudo das termelétricas, que aumentou de 1,65%, sua contribuição sofreu retração de 2,59%. É só fazer umas continhas...
No intento de mitigar os impactos ambientais causados pelo uso de combustíveis fósseis, saiu na mídia, mês passado, que as usinas termelétricas movidas a carvão e óleo terão que plantar árvores para compensar a emissão de CO2 durante o processo de geração de energia elétrica.
Afirma-se que o plantio de árvores é uma das medidas complementares para compensar pelo menos um terço das emissões de carbono, que contribuem para o aquecimento global.
Com certeza essa ação já é um começo, mas não a vejo como suficiente. Será que não seria mais adequado agir na causa ao invés do problema? É questão de foco. Há uma diferença gritante entre foco no problema e foco na solução.
A implantação do conceito de sustentabilidade é urgente. Mas, compensando as emissões de CO2 desta forma não vejo grande contribuição ao que se chama de desenvolvimento sustentável.
Certa vez li em uma revista o seguinte: "A questão Ambiental Alavanca ou Limita o Desenvolvimento?"
Refletindo sobre esta questão, considero que uma medida mais acertada seria em termos de tecnologia, focando a eficiência na utilização e a adoção de combustíveis não poluentes e renováveis (biocombutíveis), que, se bem manejados, podem assumir o desejável caráter sustentável.
Estas diretrizes inclusive foram referenciados no post "Uma nova válvula para controle do fluxo de eletricidade", quando fiz citações de documentos da Agência Internacional da Energia (IEA) que tratam sobre os Cenários e Estratégias para 2050.
Com a obrigatoriedade do plantio de árvores, não claramente definidas, para tão somente compensar a emissão de CO2, ao invés de alavancar, limitar-se-á o desenvolvimento e talvez se gere mais problemas, sociais, políticos e até ambientais.
No livro Impactos Ambientais Urbanos no Brasil, Antônio José Teixeira Guerra (2004:14), disse que "abordagens equivocadas, isto é, não embasadas em pressupostos teórico-metodológicos claramente definidos, podem induzir a soluções mitigadoras de impactos ambientais erradas ou inadequadas". Será que esta nova regra dará certo? A principio a proposta é boa. Agora é aguardar e observar os resultados.
As novas regras, foram publicadas na quarta-feira, 15 de abril de 2009, na edição nº71 do Diário Oficial da União.
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